assassino de Dorothy Stang é absolvido
Fazendeiro que mandou matar a
Missionária Dorothy Stang é absolvido pela justiçaNa última terça-feira, dia 06/04/08, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido ontem da acusação de ser o mandante do assassinato, em fevereiro de 2005, da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang.
Por cinco votos a dois, o Tribunal do Júri de Belém considerou que ele não é culpado do crime de homicídio doloso duplamente qualificado. Bida, que estava preso desde março de 2005, foi libertado por volta das 20h de ontem. Este foi o segundo julgamento de Bida, o primeiro havia ocorrido em maio de 2007. Sendo que na primeira vez que foi julgado o fazendeiro havia sido condenado a 30 anos de prisão.
O pistoleiro Rayfran das Neves, o Fogoió, que havia confessado ter atirado em Dorothy, também foi julgado na terça-feira. Ele foi considerado culpado e sentenciado a 28 anos de prisão em regime fechado. Neves foi submetido ao seu terceiro júri. No primeiro, em dezembro de 2005, foi condenado a 27 anos de prisão. Teve direito a novo julgamento, em outubro do ano passado, no qual a condenação foi mantida - e que foi anulado por irregularidades.
A morte de Dorothy teve repercussão internacional e se tornou um marco do conflito agrário brasileiro. No momento do anúncio da decisão, David Stang se mostrou apático, diferentemente dos familiares e amigos de Bida.
Quando o magistrado Raimundo Flexa afirmou que o fazendeiro havia sido considerado inocente, os familiares e parentes se mantiveram em silêncio durante alguns minutos. Em seguida, começaram a se abraçar e se congratular. Todos usavam uma camiseta com uma foto do fazendeiro e os dizeres: “Eu confio na justiça de Deus”; Um verdadeiro deboche com a vítima. Em sua fala final, o promotor Edson de Souza, disse que a missionária, “que foi tão perseguida em vida”, estava “sendo insultada depois de morta”.
A justiça a serviço dos Ricos e poderosos e contra os trabalhadores
A absolvição do mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang é uma mais prova do papel do judiciário dentro do capitalismo: convencer os trabalhadores a não lutar nem se revoltar, mas esperar por uma decisão justa nos tribunais. Mas como foi visto com a absolvição de Vitalmiro Bastos de Moura, na justiça capitalista só ganham os processos aqueles que têm os advogados mais caros, os amigos dos juízes e que pouco importa quem é o inocente e quem é o culpado. Outro exemplo de como age a justiça dos ricos e poderosos são as CPI´s que sempre acabam em Pizza, e os julgamentos de corruptos pelo Supremo Tribunal Federal que nunca condenaram nenhum corrupto, nem sequer Fernando Collor de Mello foi condenado pelo supremo tribunal federal. Não há direitos para o pobre, mas para o rico tudo é permitido. No capitalismo só vai preso quem é pobre, e em geral negro. No capitalismo é assim e vai seguir sendo. Não há justiça no capitalismo, nem há ética no capitalismo. Os mesmos donos do poder são os donos da justiça, que sempre decide a seu favor.
Os trabalhadores devem tirar lições de mais este triste fato, onde o Fazendeiro fez o que quis e saiu impune. Além de estar provado que as eleições não mudam a vida de ninguém, nenhuma ação judicial também vai mudar. Só a luta muda a vida. Uma luta nas ruas, com manifestações, com a organização por bairro, por local de estudo e trabalho. Só com pressão e com um programa que defenda romper com tudo que está aí, por uma revolução no país e no mundo, é possível acabar com a injustiça, a impunidade e a corrupção.