marcha da maconha
Justiça proíbe a Marcha da Maconha em 9 capitais e acirra debate sobre a legalização das drogas
Marcada para o domingo 4 de maio, uma mobilização pela legalização da maconha ocorreu em diversos lugares no mundo inteiro.
Conhecida como Marcha da Maconha, foi criada em 1999, em Nova Iorque (EUA), com o intuito de reivindicar a legalização da planta. Os membros desse coletivo defendem a legalização enquanto uma alternativa para combater o narcotráfico.
Cerca de 220 cidades no mundo inteiro fariam manifestações a respeito, envolvendo países como Uruguai, Portugal, Ucrânia e Grécia. Neste, inclusive, as manifestações acabaram em confronto com a polícia.
____Houve repressão também no Brasil, mas através de uma determinação da Justiça que proibiu a marcha em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). As marchas se mantiveram confirmadas para Porto Alegre (POA), Recife (PE), Florianópolis (SC) e Vitória (ES).
A justificativa de juízes e promotores para a proibição é de que a marcha caracteriza apologia ao uso de drogas - o que é crime perante a lei brasileira-. No Rio de Janeiro, em contraponto à marcha pela legalização que iria ocorrer, foi organizada uma “Marcha da Família”, que é contra a legalização das drogas, e conta com o apoio de membros de Igreja católica e da vereadora carioca Sílvia Pontes (do Partido dos Democratas, antigo PFL).
O Movimento Revolucionário entende que as drogas, assim como qualquer substância que crie dependência química e/ou psicológica, são prejudiciais e devem ser evitadas. Porém, cabe a cada um que decida sobre a sua utilização ou não. Esses “produtos” são cada vez mais consumidos na sociedade capitalista em função da vida que se leva sobre esse sistema. Enquanto a classe trabalhadora sofre com longas jornadas de trabalho para poder sobreviver, muitas vezes desdobrando-se em mais de um emprego, a burguesia desfruta do ócio permitido àqueles que vivem do roubo da riqueza produzida pelo trabalho alheio. A pequena-burguesia, no meio disso tudo, é uma classe sem perspectivas, que sonha em tornar-se burguesa, mas que se vê cada vez mais próxima de tornar-se trabalhadora.
Assim, as classes dentro do capitalismo sofrem, ainda que de diferentes formas, as doenças resultantes do capitalismo, desde a falta de dinheiro para o básico e a falta de tempo para o descanso, até o excesso de dinheiro e tempo disponível e o desconhecimento sobre no que gastá-los. Portanto, para todos, as drogas acabam sendo uma espécie de refúgio dos problemas que parecem não ter solução dentro dessa realidade, assim como uma fonte de prazer e divertimento em uma vida tão vazia e sofrível.
Logo, sabemos dos problemas causados pelo uso freqüente de drogas, mas compreendemos a sua utilização, sem vermos isso enquanto fonte de prejuízos para o capitalismo. Na verdade, o uso e o tráfico de drogas são uma conseqüência do sistema em que vivemos, que gera um imenso lucro para uma gama de mega-empresários que se escondem sob empresas de fachada, utilizando os traficantes dos morros enquanto empregados que assumem os riscos perante a polícia e grupos de extermínio mandados pelo governo.
Portanto, a legalização das drogas acaba sendo, sim, uma forma de evitar o tráfico e as crescentes mortes de crianças que trabalham para ele ou são vítimas de seus enfrentamentos com a polícia. A legalização, não ocorrida até hoje no Brasil, é em função de proteger os esplêndidos lucros dos traficantes, que ao não terem de pagar impostos, só vêem aumentar sua riqueza.
Condenamos os governos (como o de Lula), falsos moralistas, que deixam as pessoas sem emprego, sem comida e sem atendimento médico de qualidade, enquanto ficam criando liminares de proibição a manifestações legítimas e desviando dinheiro em cartões coorporativos.