Iraque abre campos petrolíferos a empresas estrangeiras
Por Ahmed Rasheed
BAGDÁ (Reuters) - O Iraque abriu nesta segunda-feira para as empresas estrangeiras a exploração de suas reservas de petróleo –as terceiras maiores do mundo–, deixando as empresas britânicas e norte-americanas em posição vantajosa, cinco anos depois de as tropas lideradas pelos EUA terem invadido o país para derrubar Saddam Hussein.
A decisão de abrir licitação para a exploração dos maiores campos petrolíferos iraquianos marcará o retorno ao país das maiores petrolíferas mundiais, cuja tecnologia e recursos financeiros são necessários ao Iraque para que restaure sua infra-estrutura duramente afetada pelas sanções e a guerra.
Mas qualquer vantagem para as empresas britânicas e norte-americanas pode irritar os opositores da invasão, que dizem que a guerra iniciada em 2003 tinha como objetivo dar a empresas petrolíferas ocidentais o controle das reservas de petróleo iraquianas. Autoridades dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha negam essa acusação.
Ao permitir que empresas estrangeiras ajudem a elevar a produção de seus principais campos o governo iraquiano está rompendo a política de seus vizinhos que são grandes produtores, como Arábia Saudita, Kuweit e Emirados Árabes Unidos. Nesses países empresas nacionais controlam estreitamente o investimento estrangeiro no setor do petróleo.
“Os seis campos petrolíferos abertos hoje são a espinha dorsal da produção de petróleo no Iraque e alguns deles estão ficando velhos, com a produção declinante”, disse o ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani, em uma coletiva de imprensa.
Ele se referia aos campos de Rumaila, Kirkuk, Zubair, West Qurna Phase 1, Bai Hassan e Maysan — este último abrange três campos separados: Bazargan, Abu Gharab e Fakka.
O ministro do Petróleo disse que eles foram abertos para contratos de exploração de longo prazo. O governo qualificou previamente para a licitação 41 empresas estrangeiras.
Shahristani disse esperar que os contratos sejam assinados em junho de 2009 para elevarem a produção a um total de 1,5 milhão de barris por dia nesses campos. Ele acrescentou que o Iraque pretende aumentar a produção para 4,5 milhões de barris por dia até 2013. Atualmente o país produz 2,5 milhões de barris por dia.
Ele também disse que os estrangeiros que entrarem na licitação precisam ter um parceiro local com no mínimo 25 por cento de participação no negócio e qualquer empresa interessada na exploração tem de abrir um escritório em Bagdá.
Atualmente, poucas empresas estrangeiras estão no Iraque por causa da precária segurança no país, mas recentes melhorias na segurança poderiam encorajar investimentos estrangeiros no Iraque.
Na semana passada o Iraque informou que também pretende assinar contratos de curto prazo em serviços petrolíferos no próximo mês.
No conjunto, os dois tipos de contrato vão abrir a porta para um grande envolvimento internacional no Iraque, país que é membro da Opep, pela primeira vez em quase quatro décadas.
As reservas confirmadas do país são de 115 bilhões de barris, só superadas pelas da Arábia Saudita e Irã. O vice-primeiro-ministro Barham Salih disse em abril que outras reservas, ainda não confirmadas, poderiam elevar o total do país a 350 bilhões de barris.
Fonte: http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRB41116020080630?pageNumber=1&virtualBrandChannel=0