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NOVELA DUAS CARAS

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A impresa a serviço dos Patrões:
Novela “Duas Caras” vende a ideologia do Ensino como mercadoria e de um movimento Estudantil e Sindical despolitizado e degenerado.

 

A imprensa burguesa, de um modo geral, não mede esforços para fortalecer o capitalismo e o seu regime, democrático apenas para os ricos e corruptos. É um dos pilares de sustentação do regime e de sua ideologia. Nesse sentido, as novelas transmitidas pelas emissoras de televisão contribuem muitíssimo.

A atual “novela das 8” da Rede Globo -Duas Caras- é o melhor exemplo disso. Já nos primeiros capítulos foi exibida uma invasão da reitoria da universidade particular Pessoa de Morais, promovida pelos alunos. Sua reivindicação era poder escolher o novo reitor, já que o anterior (Herson Capri) havia falecido e quem assumiu o seu posto, interinamente e com o direito de deliberar a respeito, foi a sua viúva, Branca (Suzana Vieira). Qual foi a reação da reitora? Chamar a polícia para expulsar os alunos, independente de com quais métodos, sob a alegação de que aquilo se constituía enquanto “invasão de propriedade privada”. Logo, justifica-se!

Recentemente, a mesma “dona da universidade” justificou o voto contrário ao projeto da sócia Célia Mara (Renata Sorrah) -de adequações na estrutura universitária para receber alunos portadores de necessidades especiais- devido a “interesses empresariais”, pois a proposta seria inviável financeiramente.

Ou seja, a universidade privada é uma propriedade privada, na qual quem manda é o seu dono -o sócio majoritário- e não os alunos, professores e funcionários. Sendo assim, a universidade deve funcionar tal qual uma empresa, que visa o lucro, e não como uma universidade, que visa à qualidade do ensino. Isso é a mais pura legitimação e defesa do ensino enquanto mercadoria! Além disso, quem deve decidir sobre os rumos de uma instituição/ entidade é quem a sustenta (trabalhadores, estudantes…).

Fora todas as barbaridades que a novela vem respaldando, há muitas outras.

A reunião do Diretório Acadêmico da universidade, em que uma aluna propõe que os alunos sejam bolsistas da instituição, não de graça, mas em troca de experiência (sem reveber nenhum centavo), foi mais uma das pérolas da novela. Tdoso sabem que o aluno bolsista, em geral, busca alternativas empregatícias dentro da universidade para contemplar uma necessidade financeira e prejudicar o mínimo possível os seus estudos. A autora da brilhante proposta, obviamente, é uma estudante com boas condições financeiras, que têm a família para bancar seus estudos e que, conseqüentemente, pode exercer um serviço sem precisar ser paga por isso.

Entretanto, o auge do desespero por defender o regime e as instituições deu-se numa discussão entre Juvenal Antena (Antônio Fagundes) e Evilásio (Lázaro Ramos).

Ao a favela Portelinha sofrer um incêndio, iniciado por um toco de cigarro, e que desabrigou uma série de trabalhadores, a associação de Moradores foi atrás do responsável, deparando-se com o alcoólatra Zé da Feira, que já tinha antecedentes de provocar prejuízos à comunidade.

Essa mesma comunidade exigiu providências de Juvenal Antena -o líder da associação- por terem ficado sem moradia, sem emprego, sem ter o que vestir. O que propôs o líder? Que o reincidente saísse da favela, devido ao tamanho prejuízo que havia causado. E eis que surge Evilásio, afirmando que Juvenal não podia expulsar ninguém da favela e que ele, enquanto morador da Portelinha e acessor do Deputado Narciso Telerman estava ali para garantir o cumprimento da lei e a defesa dos direitos do cidadão. O que é isso?

Onde estavam a lei e suas instituições para ajudar a apagar o incêndio? E melhor, onde estão os “direitos do cidadão” que permitem que milhares de trabalhadores sejam jogados em vilas, vivendo em barracos sujos, com goteiras, passando todo o tipo de privação? A cada problema vivido pela comunidade, a associação de moradores interveio para resolver, sem que se pudesse contar com qualquer parágrafo da constituição. Mas as duas alternativas que a novela apresenta (as leis do congresso nacional que defende os grandes empresários e a lei de Juvenal Antena) servem para deseducar a população e propagar uma ideologia contrária ao verdadeiro método de organização dos trabalhadores. Um bairro de trabalhadores e sua associação não devem ser dirigidos nem pelo regime burguês nem por um líder que dita as regras do bairro. Assim como em um sindicato, ou em um grêmio estudantil, são os trabalhadores, os estudantes e os moradores do bairro quem devem decidir sobre os rumos do sindicato, do grêmio ou da associação.

E é assim que a vida dos trabalhadores pode mudar: através da sua organização dentro das escolas, dos bairros, dos locais de trabalho, e não com a ajuda de parlamentares eleitoreiros e cínicos. E tanto isso já está ficando bem claro na mente de todos que foi necessário que uma novela resolvesse abordar o assunto, quer dizer, só a propaganda partidária e os órgãos do governo não estão mais sendo suficientes para enganar a classe trabalhadora.

 publicado originalmente em http://www.movimentorevolucionario.org

 

Written by ocavirtual

fevereiro 29, 2008 às 3:18 am

Publicado em novela, Sem-categoria, tv

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