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O desenvolvimento do capitalismo nacional brasileiro e sua relação com o capitalismo mundial

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O desenvolvimento do capitalismo nacional brasileiro e sua relação com o capitalismo mundial

A formação do capitalismo industrial brasileiro não se dá de forma isolada em relação ao capitalismo global dos países desenvolvidos da Europa ocidental e dos EUA.O Brasil, assim como, diversos países da América latina, áfrica e sudeste asiático têm uma história marcada por um forte atraso estrutural, decorrente de anos de forte exploração colonial pré-capitalista.As desigualdades no desenvolvimento entre os centros metropolitanos e suas colônias, entre diferentes continentes e países é fundamental para compreender o desenvolvimento da acumulação primitiva capitalista brasileira bem como as relações econômicas presentes nesse sistema muitas vezes contraditório, dialeticamente moderno e arcaico.O escravismo, enquanto modo de produção já houvera desaparecido, na Europa, contudo, foi fortemente introduzido na América.

O escravismo praticado na América, primeiramente vinculado à monocultura de cana-de-açúcar para a exportação em nosso país, as relações feudais desenvolvidas na Bolívia correspondiam ambas as necessidades da nascente burguesia mercantil européia.A desigualdade é a “lei mais geral do processo histórico” (história da revolução russa, pág.5), essas desigualdades sustentam nossa base de análise do desenvolvimento do capitalismo brasileiro, suas relações contraditórias de progresso social e de uma dialética do caminho da humanidade.

O capitalismo é um sistema econômico mundial, que ao longo dos últimos cinco séculos se desenvolveu em todos os países do globo, passando por diferentes fases: capitalismo comercial, capitalismo industrial, capitalismo financeiro e capitalismo estatal monopolista.Cada país, mesmo que atrasado foi levado pela roda da história a estabelecer relações estruturais capitalistas e se viu sujeito a suas leis de desenvolvimento, mesmo com suas relações arcaicas internas persistindo.Cada país entrou na divisão internacional do trabalho sob as bases de um mercado mundial, jogando diferentes papéis na formação e desenvolvimento desse sistema.

Os primórdios da formação do capitalismo nacional brasileiro já datam do período de seu ‘descobrimento’ em 1500,assim que Cabral e suas caravelas colocaram seus pés em solo brasileiro o país foi introduzido na divisão internacional do trabalho.Dezenas de caravelas,portuguesas,francesas e holandesas,saiam abarrotadas de Pau-Brasil de nosso país,madeira essa extremamente valiosa nessa época histórica,pois dela podia extrair-se um pigmento usado para as artes e a costura.Todo esse montante de madeira era cortada e armazenada por um verdadeiro exército de nativos,superexplorados pelas relações de escambo,trabalhando por horas a fio em troca de bugigangas manufaturadas como tecidos e bijuterias baratas trazidas da Europa.

O processo de nascimento de uma elite rural local,ainda que umbilicalmente ligada à elite metropolitana avança no Brasil a passos extremamente lentos e desiguais.A alta concentração de terras,decorrentes da campanha de distribuição de terras promovida pelo governo central, como com as capitanias hereditárias,etc,favoreceram o surgimento de grandes latifúndios escravistas exportadores de cana-de-açúcar para a metrópole.A elite local acabava por tornar-se a sócia menor de tal empreitada,pois a metrópole detinha o monopólio comercial em relação à produção da colônia,comprova barato uma matéria-prima valiosa como ouro.As manufaturas eram desencorajadas e perseguidas no Brasil,nosso país desde cedo se desenhava na lógica do então nascente capitalismo a ser fornecedor de matéria-prima,exportador de capital para o desenvolvimento do capitalismo industrial europeu.

O ciclo mineiro do ouro possibilitou uma relativa melhoria na infra-estrutura,pois o ouro e outros metais precisos da época precisavam de um sistema mais complexo de escoamento para a metrópole, o metalismo desenvolvido ao extremo na América espanhola chegava ao Brasil e com ele o surgimento de pequenas manufatoras,que parasitavam os restos de capital que permaneciam nas mãos de uma elite local,ainda demasiado fraca.É nesse período que surgem,ainda que extremamente minoritários figuras pequeno-burguesas como os médicos,os advogados,os professores,anteriormente só encontrados na Europa ocidental.

Porém,a partir de 1808,com a chegada da família real portuguesa que fugia de Napoleão,e com a abertura dos portos,o capitalismo nacional tem mudanças qualitativas e quantitativas,que se por um lado aumentaram ainda mais a exploração,miséria e dependência econômica do país,por outro enfraqueciam as relações já arcaicas de pacto colonial,incluíam o Brasil de forma mais efetiva na divisão internacional do trabalho,desenvolviam-se as manufaturas ainda que de forma intermitente.A falta de mão de obra livre,a incapacidade da burguesia local em competir com os produtos das grandes potências européias,e principalmente a pressão burguesa para transformar o contingente de escravos negros em consumidores,forçou o regime monárquico a uma política de eliminação gradual da importância produtiva do escravo

O cultivo do café tornava-se a principal atividade econômica do país, uma burguesia cafeeira nascia, e apesar de essa ter toda sua produção, por mais de um século baseada no sistema de produção escravista, sua força e necessidade forçou a melhora na infra-estrutura,surgem nesse período grandes ferrovias no sudeste do país e o porto de Santos torna-se o principal do país.O excedente de capital passa a ser investido em outros ramos da economia,começam a aparecer no Brasil também as médias e grandes tecelagens,etc,destinadas a bens de consumo não duráveis,de pequeno valor agregado.

Por uma concepção etapista dos processos históricos e econômicos, o Brasil até 1930 é um país pré-capitalista com relações semi-feudais,afirmando que o país passa por um período de revolução industrial nessa década.Com a crise capitalista mundial desencadeada pelo racha na bolsa de valores de NY,e a subida de Getúlio Vargas em 1930,O Brasil passa a desenvolver uma política de industrialização,que contudo não abandonava o setor mais forte da economia nacional o agro-exportador que enfrentava uma crise sem precedentes.O êxodo dos trabalhadores do café e do nordeste faz despertar aos poucos uma importante classe operária,concentrada nos centros urbanos que começam a crescer de forma vertiginosa.O governo investe em infra-estrutura produtiva,surge a indústria de base Nesse período histórico nascem grandes companhias então estatais como a CSN,a Petrobrás,a Vale do Rio Doce.

Uma resposta

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  1. muito obrigado pelo texto.

    RODRIGO

    julho 2, 2009 at 1:44 pm


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