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Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

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Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

A voz e a vez do estudante refletir a escola

Introdução

Optamos ao entrevistar os estudantes do colégio Júlio de Castilhos, por desenvolver uma abordagem sociológica mais crítica.Percebemos ao longo dos anos, não negando nossa experiência como estudantes secundaristas, que a sala de aula não se configurava e ainda não se configura como um ambiente dos estudantes e sim como um ambiente, onde se manifesta muitas vezes apenas o poder e as vontades dos professores.E nessa escola o ambiente dos estudantes, seu espaço de contestação e relacionamento apresenta-se na figura de seu grêmio estudantil.O grêmio é mais que um espaço de luta onde se discutem os problemas da escola e da sociedade, é um espaço de convivência onde surgem amizades, rixas políticas, amores, etc.

O grêmio é talvez a célula viva da escola, onde a efervescência de idéias salta aos olhos, por isso mesmo abandonamos a rigidez do sociólogo que observa o seu sujeito de investigação de forma externa, queremos ser parte desse processo, precisamos muito mais ouvir do que perguntar.

O colégio Júlio de Castilhos, popularmente conhecido como Julinho é o maior colégio de ensino médio do estado.Carrega uma bagagem de luta e excelência, quando o assunto é lutar por uma educação gratuita de qualidade para todos.Seus estudantes sempre estiveram na vanguarda da luta estudantil no RS, des dos anos 60 na luta contra a ditadura, passando pelas manifestações massivas pelas diretas já de 84 e desembocando na luta contra o desmanche da educação promovido na década de 90 e 2000 pelos governos neoliberais com verniz de esquerda ou não.

Entrevista

O grêmio estudantil: A voz e a vez do estudante refletir a escola

Ao chegarmos à escola em uma terça feira à noite, fomos muito bem recebidos pela direção, que após um momento de desconfiança sentiu-se bastante à vontade dado ao caráter informal da nossa pesquisa.Hoje, contudo, era o dia de irmos de encontro aos estudantes, em seu espaço dentro da escola: O grêmio estudantil.

Chegando ao grêmio fomos tratados como velhos amigos pelos estudantes que lá estavam, éramos iguais, tanto pela idade que não difere tanto, quanto pela postura em relação ao desmonte da educação pública em todos os níveis de ensino.Alguns estudantes responderam nossas perguntas, porém as estudantes Ana Moreau e Angie Bandeira manifestaram total interesse na pesquisa e responderam a todas.

Disseram-se apaixonadas pela escola e muito tristes porque mesmo com toda sua luta não conseguem melhorar a escola, que entre outros debilidades apresenta problemas de estrutura em decorrência do corte de verbas da educação pelo governo do estado.Reclamam da enturmação que aumentou o número de estudantes de 20 para 50 estudantes por sala de aula, argumentam que assim torna-se impossível de o professor dar uma boa aula.Logo a revolta começou a aparecer com ainda mais força, os estudantes revelam, que os professores demitidos em decorrência de enturmação, fazem parte em sua grande maioria da oposição a direção da escola e são participantes também da oposição no sindicato.

O papel do professor na avaliação dos alunos e a relação com o currículo

Para as estudantes o melhor turno para se estudar na escola é o noturno, porque segundo essas, é onde se encontram as pessoas mais sérias, que trabalham o dia inteiro e vêem na escola a oportunidade de melhorar de vida conseguindo um emprego melhor com o aumento de suas escolaridades.

Ao contrário do que o senso comum pensa, os alunos ao apontar que matéria gostavam mais afirmaram que tal avaliação, pois para eles uma aula boa depende muito mais da vontade e do interesse dos professores do que das matérias que esses ministram.Um dos professores mais citado pelos alunos pela qualidade de sua aula é um professor de física, matéria dada como vilã junto com a matemática nas escolas e nos vestibulares.

Em contrapartida, na conversa com os estudantes explicitou-se claramente a total falta de liberdade para a construção de seus currículos junto com seus professores.Para eles salvo algumas exceções, a relação professor-aluno é fria, superficial e burocrática configurando a sala de aula, como um espaço de poder dos professores.Fatos de descriminação dos professores em relação aos alunos e vice-versa aparecem com certa força, o racismo, o machismo e a homofobia estão fortemente presentes e se percebe pelas músicas que tocam no recreio, pelo comportamento da grande maioria dos alunos.A escola não está pronta do ponto de vista pedagógico e estrutural para receber deficientes, e quando os recebe segundo os alunos os próprios professores acabam discriminando-os.

O Julinho é um colégio em decadência em virtude do corte de verba para a educação, mas o amor de seus professores e alunos e as necessidades de aumento salarial e de verbas leva essa grande escola a estar na resistência, contra os ataques a educação.Quem escreverá o próximo capítulo dessa história.

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