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Construindo Professores Construindo Discursos

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Construindo Professores

Construindo Discursos

Franco De Souza Machado

A construção dos saberes docentes se dá de forma combinada com o desenvolvimento do indivíduo, o sujeito professor existe além da sala de aula.Antes de ser o ‘mestre’ de geografia, biologia ele é o pai, o marido, a mulher ou o homem, o trabalhador vivente em uma sociedade fortemente hierarquizada, dividida em classes sociais antagônicas.A geografia das salas de aula é a geografia dos discursos, o espaço escolar apresenta-se como uma fotografia das relações de produção.O professor reproduz o papel do patrão, carregando em si toda a força do estado.O aluno nesse grande teatro social representa o operariado, esmagado por uma série de discursos e tolhido a ver a educação apenas como um obstáculo social ou como uma oportunidade de desenvolvimento profissional à medida que desenvolve conhecimentos técnicos.Infelizmente, a sociedade tem seu próprio ritmo, seu próprio desenvolvimento histórico, sepultando ora ideologias e categorias científicas para em seguida recuperá-las para o debate.Um tema que em minha opinião necessita ser revisado é a relação da escola com a sociedade, a possibilidade ou não do desenvolvimento de um conhecimento escolar imparcial, de uma escola que apresente o saber como algo determinado, ainda que confundido por uma diversidade de discursos e currículos que convergem sempre para um mesmo caminho a manutenção da ordem.

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A escola de nossos dias aborda questões ainda polemicas como o machismo na construção da mulher ideal, serviçal primeiro do marido e dos filhos e agora do patrão.Avançamos em uma abordagem mais crítica das opressões e explorações presentes no capitalismo, contudo, ainda somos demasiadamente descritivos e quantitativos sem adentrar com maior profundidade nas qualidades dos problemas sociais.A vida real é mais complexa que uma estatística, sendo essa apenas uma ferramenta, embora, muitas vezes tratada como um fim em si mesma.Porém, apesar das conquistas, precisamos ir além, vencendo a barreira do paliativo e do imediatismo intelectual. É preciso estudar,vivenciar e transformar o processo.A máxima de que nenhuma teoria é válida se não resiste a concretude da realidade material é valida para a geografia das salas de aula.O professor e sua relação com os discursos da sociedade, tal qual o machismo em relação às mulheres docentes me chama bastante a atenção, como algo que transborda o espaço das salas de aula.Concordo com a professora Guacira Lopes quando essa apresenta a rede de caricaturas sociais construídas ao longo do tempo sobre as professoras e como essas funcionaram e ainda funcionam como argumentos velados da exploração, pelo não reajuste salarial.A professora se desenhava como a tia, a que dá aulas por amor, por vocação, portanto não importam os baixos salários e as más condições de trabalho a professora seguirá dando aula porque ela nasceu para isso e nada a removerá de seu ideal quase divino.A escola brasileira está falida, existe um projeto de estado para cada vez mais sucatear e fortalecer o ensino privado em todos os níveis educacionais.Questiono Maura Lopes e Eli Henn Fabris como é possível inserir o excluído em um contexto de crise da educação?

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Como será possível em cenário em que as escolas públicas atendem de forma precária a demanda dita regular de estudastes, que os professores ganham mal e não tem qualificação para lidar com a diferença. É triste mas nossa educação pública que é o que me compete não passa de uma velha máquina fordista,operando pelo ‘milagre’ da luta social de nossos educadores.Falta leitura, falta estrutura para o desenvolvimento de professores mais críticos, que vão além da matéria que conhecem com profundidade, despertando em seus alunos seus próprios valores e colaborando para a criação de um sujeito realmente transformador e participante da realidade, da sociedade em que vive.Meu recado para os professores da faculdade de educação, com toda a humildade para os queridos mestres, e que continuem com suas pesquisas pedagógicas, epistemológicas, mas que também vençam os muros da universidade, participando da luta direta do povo, pois, as teorias por mais brilhantes que possam ser precisam passar pela prova de fogo da realidade concreta.A dialética do conhecimento humano aproveita o que a história demonstra como válido e refuta, supera aquilo que já deu sua contribuição social a humanidade.Temos o direito de perecer, a escola e as ideologias sociais também.Fica, contudo, o processo, o desenvolvimento do conhecimento humano.Já é hora de construir novas geografias, novas escolas, novas sociedades nacionais em um novo sistema.

Bibliografia:

Gênero e Magistério:Identidade,História,Representação

Lopes Louro,Guacira.

O Discurso Do Avesso: A Geografia Da Sala De Aula

Moreira,Ruy.

Manter-se Na Escola Regular:Um Esforço Que Não Garante Lugar De Incluído.

Corcini Lopes,Maura.

Henn Fabris,Eli.

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