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Archive for the ‘geografia critica’ Category

política de conquista de território praticada por Israel

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A construção do espaço geográfico ao longo da história

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A construção do espaço geográfico ao longo da história

A divisão política atual, em países, é produto das mudanças no espaço geográfico ao longo da história da humanidade.A revolução agrícola, ou Neolítica, representam o marco onde os homens abandonam a vida nômade, caracterizada pela caça e pela coleta e passam a domesticar os animais e a cultivar a terra.Esse espaço natural é transformado pelos homens através de seu trabalho.Essa sedentarização do homem,ou seja, fixação em um determinado local,resulta no surgimento dos primeiros núcleos populacionais,sociedades mais complexas,origem das cidades.A divisão do trabalho,o avanço da técnica,o surgimento das ferramentas mais sofisticadas resultaram em um quantidade maior de excedente,provocando uma divisão do trabalho,o surgimento de uma elite administrativa e burocrática,que centraliza cada vez mais o poder.Esse processo resulta no surgimento das primeiras cidades-estado.

Essa ocupação permanente do espaço resultaram em relações sociais mais complexas e estáveis,surge à propriedade privada,a elite se perpetua em quanto classe através dos reis,escribas,sacerdotes,militares.Etc.Os territórios das cidades-estado tendem a se expandir,através das conquistas militares.O império Romano é o exemplo disso,pois através do poderio bélico Roma anexou econômica,politicamente e socialmente o mundo ocidental ao mundo oriental então conhecido.Com o declínio do império romano uma nova forma de organização do espaço toma conta da Europa,os feudos,prevalecendo ao oposto do império Romano a descentralização política,tendo como base a propriedade da terra por parte da nobreza.A propriedade feudal tem sua produção voltada para o consumo interno,esse período histórico é marcado por uma forte retração comercial.

O renascimento comercial do final da idade-média resulta em grandes mudanças na organização econômica,política,cultural e social na Europa.Grandes feiras-livres de especiarias e produtos vindos do oriente dão origem a cidades,como Paris,a Europa passa por um processo de reurbanização e as fronteiras nacionais começam a ficar mais claras com surgimento das monarquias absolutistas, que representa a centralização do poder nas mãos dos reis com o apoio da burguesia nascente.Nascem os estados nacionais europeus,contudo,as mudanças políticas influíram sempre na dinâmica das mudanças territoriais até os nossos dias.

Estados nacionais como o espanhol e o português se fortalecem no comércio internacional de especiarias ao se lançaram na busca de novas rotas para a índia,Colombo descobre a América em missão da coroa espanhola,está aberto à expansão marítima,a era do descobrimento trás consigo uma mudança no espaço territorial mundial,descobrem-se sob o olhar do europeu novos continentes.É nesse período histórico que se dá o forte processo de acumulação primitiva de capital,que posteriormente contribui para o fortalecimento do capitalismo europeu.Essa acumulação primitiva de capital só foi possível devido ao forte processo de exploração que as metrópoles européias submetiam as suas colônias no novo mundo,retirando seu ouro,prata,cobre e tudo mais o que fosse possível vender.

É com a Revolução Francesa,em 1789,que o conceito de nação baseado na unidade política se desenvolveu.A burguesia detentora do poder econômico arrancou de forma revolucionária o poder político da nobreza e do clero,tendo seus ideais sido propagados pelos quatro cantos do planeta.A questão das fronteiras estáveis e rigidamente estabelecidas ,como forma de controle político e econômico,ampliando o conceito de Estado,até então mais identificado com questões culturais ,agregando a noção de estado uma concepção política.A questão do estado passa a ser a partir daí um dos principais valores da classe burguesa da Europa ocidental.

Com a Revolução industrial tem começo um forte processo de urbanização do espaço,incrivelmente acelerado,sendo que a taxa de população inglesa urbana ultrapassa a taxa de população rural.Esse processo alastra-se rapidamente por toda a Europa.Com o aparecimento das fábricas,o espaço passa a se organizar de forma diferente,o que resultou no aparecimento das cidades industriais.Em pouco tem a Inglaterra tornou-se a nação mais poderosa do mundo,conquistado a maior parte dos territórios da áfrica e Ásia,etc, através de seu poder político.É promovida uma verdadeira partilha colonial entre os imperialismo europeus,devemos destacar o capitalismo francês e alemão desenvolvidos em um segundo período da revolução industrial.A busca por territórios,que representavam novos mercados para a crescente capacidade produtiva.Essas tenções entre as nações européias,em especial entre a Inglaterra e a Alemanha que já superava a primeira no cenário econômico mundial sãos os embriões que pariram a primeira grande guerra mundial .

Com a primeira guerra mundial nasce à supremacia econômica norte-americana,a configuração territorial tem novas mudanças com o fim dos impérios Austro-Húngaro,originando a Tchecoslováquia ,Hungria e Polônia.O império russo caí dando lugar à união soviética e ao primeiro estado operário da história,no oriente médio tem o fim do império Turco Otomano.A paz humilhante imposta à Alemanha,a crise econômica de 29,será um terreno fértil para o nazi – fascismo resultando já nos germes da segunda grande guerra mundial.Após,o término da guerra em 45 estala-se uma nova ordem,de bipolaridade entre o capitalismo e o socialismo.

REDE URBANA E A HIERAQUIA DAS GRANDES CIDADES

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REDE URBANA E A HIERAQUIA DAS GRANDES CIDADES

Nem todas as cidades tiveram o mesmo desenvolvimento e algumas cidades cresceram em ritmos diferentes do que outras.Esse fenômeno ocorreu não só em termos do aumento da população, mas também em relação à complexidade dos setores secundários e terciários.Com o capitalismo houve uma intensificação das trocas entre as cidades, e as maiores passaram a ter uma crescente influencia sob as menores, chamada de redes urbanas.Essas são mais complexas em áreas com economias mais desenvolvidas, estabelecendo a partir de sua influência econômica, política, social uma hierarquia urbana sob as redes urbanas e cidades mais atrasadas.

Metrópole mundial ou cidade global – exerce influencia não somente em seu país, mas em todo o mundo.Ex: NY, Tóquio.Alguns autores da geografia consideram cidades globais somente as cidades globais dos países desenvolvidos.Outros incluem como cidades globais cidades localizadas em países em desenvolvimento, como SP.

Características das cidades globais: pólo tecnológico, centro econômico e financeiro, forte industrialização e desenvolvimento do setor de serviços, com influência global na dinâmica do sistema capitalista globalizado.Outros exemplos: Chicago, Londres, Paris, Zurique (países ricos); SP, Cidade Do México (países em desenvolvimento).

IMPORTANTE: existe um conceito de mega cidades formulado pela ONU para classificar cidades com mais de 100 milhões de hab, uma cidade global para a ONU pode ou não se confundir com uma mega cidade.Exemplo: Tóquio (mega cidade e cidade global), SP (mega cidade).

Metrópole nacional – exerce influência em uma determinada região nacional.Ex: SP, RJ, POA, BH.

Metrópole regional – Vitória, Goiás, Manaus, Caxias do sul.

Capital regional– serve de pólo para diversos centros regionais menores- pelotas,rio grande

Centro regional – tem influencia sob cidades menores e vilas- Torres,Gramado

Megalópoles

A crescente urbanização gerou um fenômeno conhecido como conurbação,que designa um processo em que duas ou mais cidades passam a constituir uma área entregada,usufruindo serviços de infra-estrutura comum,tornando as áreas urbanas contínuas.As zonas rurais que ficavam nas periferias dessas cidades foram desaparecendo,ocupadas por atividades tipicamente urbanas,diminuindo assim os espaços entre elas.Os limites entre uma e outra passam a ser praticamente imperceptíveis,não se distinguindo onde começa uma e termina a outra,criando-se uma verdadeira união física das cidades.Isso não significa que necessariamente em áreas conurbadas inexistam zonas rurais.Muitas vezes encontramos pequenas zonas agrícolas,quase sempre voltadas para a policultura que tem como destino o abastecimento das próprias cidades.

O processo de crescimento e expansão das cidades deram origem às metrópoles,cidades interligadas com serviços de infra-estrutura urbana comuns,onde uma delas exerce uma fortíssima influência sobre as outras sendo por isso chamada de cidade central.Essas áreas metropolitanas continuam em expansão,algumas em um ritmo mais acelerado do que outras.Assim, o espaço ocupado pelas áreas metropolitanas muitas vezes acaba decorrendo em um fenômeno que resulta no surgimento das megalópoles,ou seja, na conurbação das metrópoles.

Exemplos de megalópoles:

Boswash no nordeste americano estende-se de washiton até Boston,na região dos grandes Lagos.

Chipitts nos grandes lagos dos EUA tem uma pop.De 50 milhões de hab,de Chicago até Bittsburgh.

Japonesa– de Tóquio até Nagasáqui,como mais de 100 milhões de hab.

As cidades tecnopólos – a revolução tecnocientífica (terceira revolução industrial) que marcou o século 20.,Em especial sua segunda metade,trouxe conseqüências também na organização espacial das cidades,dando origem àquelas conhecidas como tecnopólos.Hoje a tecnologia é vital para as relações econômicas.A pesquisa e os institutos de tecnologia de ponta passaram a ser os centros nervosos para a própria dinâmica do mundo capitalista.Nos anos noventa um fenômeno importante marca a transformação de antigos centros universitários de pesquisa avançada passam a ter uma revolução ativa com as empresas de alta tecnologia,como por exemplo,de informática ,telecomunicações e biotecnologia.Esses centros de excelência tornaram-se pólos para a atração de indústrias dessa área.Os tecnopólos normalmente estão situados próximos a grandes centros urbanos.Um dos mais importantes tecnopólos norte-americanos é Boston,Massachusetts,onde estão duas das mais importantes universidades do mundo como Harvard e o MIT.Nessa área alem da indústria bélica,encontramos muitas outras companhias ligadas a outros ramos da tecnologia de ponta.Embora esse tipo de aglomeração seja típico dos países ricos,dado ao volume de investimento e a complexidade da infra-estrutura técnica,países como a índia e a Coréia do Sul vem investindo muito em educação e em pesquisas para desenvolver seus tecnopólos.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O DESENVOLVIMENTO DO MUNDO URBANO

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A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O DESENVOLVIMENTO DO MUNDO URBANO

A Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial e das cidades com atividades industriais.De norte a sul do país surgiram indústrias movidas pela máquina a vapor, usando o carvão como fonte de energia.Essas unidades fabris foram instaladas próximas as grandes jazidas carboníferas inglesas.Os pequenos povoados começaram a receber milhares de pessoas que deixavam o campo em busca de trabalho nas fábricas, processo esse denominado de êxodo rural. A Revolução Industrial, iniciada a mais de 250 anos, estendeu-se por todo o mundo e foi o divisor de águas entre o mundo rural e o mundo urbano que conhecemos hoje.Até então, o campo determinava o modo de produzir, o modo de vida e as relações entre os homens, a cultura, a política e a sociedade.

A Revolução industrial redirecionou as funções do campo e da cidade com uma força avassaladora.A crescente população urbana pressionou o campo para o aumento da produção de alimentos e de matérias-primas, que seriam utilizadas nas nascentes fábricas, de lá e tecidos. O campo, portanto, começa a ser regulado pelas necessidades das zonas urbanas, por suas atividades industriais e comerciais, caracterizando novas relações espaciais.A zona rural passa a ser produtora de matéria prima, e as cidades desenvolvem atividades secundárias (indústria) e terciárias (comércio e serviços em geral).Essas novas relações acabam por transformar as relações culturais, sociais até então existentes no campo.

Implanta-se a partir daí uma nova forma de organização da produção: algumas fabricavam certos produtos que eram consumidos por terceiros que, por sua vez, também produziam outros bens, que também seriam consumidos por outras parcelas da população.Desenvolve-se e se difunde a partir desse período a idéia de mercado, a produção voltada para um mercado consumidor específico e a divisão social do trabalho.As cidades passam a acumular riquezas, e o capital passou a ser investido no próprio negócio para gerar ainda mais lucros.Uma burguesia nacional se fortalece sob a indústria e detém grande parte das riquezas nacionais, passando a controlar grande parte dos recursos advindos das zonas urbanas marcadas pela presença das fábricas.

Na Inglaterra no século 19.,Além da capital Londres,uma das primeiras cidades globais,muitas outras cidades se desenvolveram tendo como base o processo de industrialização,surgindo principalmente nas proximidades de áreas carboníferas como Liverpool (cidade dos beatles,heheeheheh),Bristol,New Castle,Manchester,etc. Na virada do século 20,o modo de vida urbano era predominante na Europa e já se alastrava pelo mundo em especial na costa Americana (onde os EUA são banhados pelo oceano atlântico).Nesse período Londres e NY já eram consideradas grandes cidades pelo número de habitantes e por sua infra-estrutura urbana.

Construindo Professores Construindo Discursos

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Construindo Professores

Construindo Discursos

Franco De Souza Machado

A construção dos saberes docentes se dá de forma combinada com o desenvolvimento do indivíduo, o sujeito professor existe além da sala de aula.Antes de ser o ‘mestre’ de geografia, biologia ele é o pai, o marido, a mulher ou o homem, o trabalhador vivente em uma sociedade fortemente hierarquizada, dividida em classes sociais antagônicas.A geografia das salas de aula é a geografia dos discursos, o espaço escolar apresenta-se como uma fotografia das relações de produção.O professor reproduz o papel do patrão, carregando em si toda a força do estado.O aluno nesse grande teatro social representa o operariado, esmagado por uma série de discursos e tolhido a ver a educação apenas como um obstáculo social ou como uma oportunidade de desenvolvimento profissional à medida que desenvolve conhecimentos técnicos.Infelizmente, a sociedade tem seu próprio ritmo, seu próprio desenvolvimento histórico, sepultando ora ideologias e categorias científicas para em seguida recuperá-las para o debate.Um tema que em minha opinião necessita ser revisado é a relação da escola com a sociedade, a possibilidade ou não do desenvolvimento de um conhecimento escolar imparcial, de uma escola que apresente o saber como algo determinado, ainda que confundido por uma diversidade de discursos e currículos que convergem sempre para um mesmo caminho a manutenção da ordem.

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A escola de nossos dias aborda questões ainda polemicas como o machismo na construção da mulher ideal, serviçal primeiro do marido e dos filhos e agora do patrão.Avançamos em uma abordagem mais crítica das opressões e explorações presentes no capitalismo, contudo, ainda somos demasiadamente descritivos e quantitativos sem adentrar com maior profundidade nas qualidades dos problemas sociais.A vida real é mais complexa que uma estatística, sendo essa apenas uma ferramenta, embora, muitas vezes tratada como um fim em si mesma.Porém, apesar das conquistas, precisamos ir além, vencendo a barreira do paliativo e do imediatismo intelectual. É preciso estudar,vivenciar e transformar o processo.A máxima de que nenhuma teoria é válida se não resiste a concretude da realidade material é valida para a geografia das salas de aula.O professor e sua relação com os discursos da sociedade, tal qual o machismo em relação às mulheres docentes me chama bastante a atenção, como algo que transborda o espaço das salas de aula.Concordo com a professora Guacira Lopes quando essa apresenta a rede de caricaturas sociais construídas ao longo do tempo sobre as professoras e como essas funcionaram e ainda funcionam como argumentos velados da exploração, pelo não reajuste salarial.A professora se desenhava como a tia, a que dá aulas por amor, por vocação, portanto não importam os baixos salários e as más condições de trabalho a professora seguirá dando aula porque ela nasceu para isso e nada a removerá de seu ideal quase divino.A escola brasileira está falida, existe um projeto de estado para cada vez mais sucatear e fortalecer o ensino privado em todos os níveis educacionais.Questiono Maura Lopes e Eli Henn Fabris como é possível inserir o excluído em um contexto de crise da educação?

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Como será possível em cenário em que as escolas públicas atendem de forma precária a demanda dita regular de estudastes, que os professores ganham mal e não tem qualificação para lidar com a diferença. É triste mas nossa educação pública que é o que me compete não passa de uma velha máquina fordista,operando pelo ‘milagre’ da luta social de nossos educadores.Falta leitura, falta estrutura para o desenvolvimento de professores mais críticos, que vão além da matéria que conhecem com profundidade, despertando em seus alunos seus próprios valores e colaborando para a criação de um sujeito realmente transformador e participante da realidade, da sociedade em que vive.Meu recado para os professores da faculdade de educação, com toda a humildade para os queridos mestres, e que continuem com suas pesquisas pedagógicas, epistemológicas, mas que também vençam os muros da universidade, participando da luta direta do povo, pois, as teorias por mais brilhantes que possam ser precisam passar pela prova de fogo da realidade concreta.A dialética do conhecimento humano aproveita o que a história demonstra como válido e refuta, supera aquilo que já deu sua contribuição social a humanidade.Temos o direito de perecer, a escola e as ideologias sociais também.Fica, contudo, o processo, o desenvolvimento do conhecimento humano.Já é hora de construir novas geografias, novas escolas, novas sociedades nacionais em um novo sistema.

Bibliografia:

Gênero e Magistério:Identidade,História,Representação

Lopes Louro,Guacira.

O Discurso Do Avesso: A Geografia Da Sala De Aula

Moreira,Ruy.

Manter-se Na Escola Regular:Um Esforço Que Não Garante Lugar De Incluído.

Corcini Lopes,Maura.

Henn Fabris,Eli.

A POPULAÇÃO NEGRA TRABALHADORA

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os efeitos das desigualdades promovidos pelo preconceito racial sobre os rendimentos médios individuais,sem dúvida,inserem-se na grande concentraçao de renda salarial brasileira.Essa perversa realidade tem uma triste relação sobre a qualidade de vida desta grande parcela da população nacional.Desigualdade,pobreza,atingem principalmente a população trabalhadora negra e podem ser sintetizadas pela comparação entre o IDH da população negra e da população não-negra.

Estudos demonstram que a população de trabalhadores negros ocupa postos de trabalho mais precários e com menor remuneração,carregando também o peso de índices de desemprego subtancialmente maiores do que os índices de desemprego encontrado entre a população trabalhadora não-negra.Os negros tem maior índice de ocupação que os não negros em atividades ligadas a agricultura,contrução civil e prestação de serviços.Nas grandes regiões metropolitanas de nosso país é sempra mais intensa a incorporação de negros ao mercado de trabalho,porém esses são ainda muito poucos entre os trabalhadores estatutários.De fato o negro encontra-se ‘apartado’ dos serviços públicos em geral.Porém,quando se insere nesse setor geralmente ganha os piores salários ocupando as funções taxadas de menos qualificadas pela burocracia governamental do estado.

Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

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Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

A voz e a vez do estudante refletir a escola

Introdução

Optamos ao entrevistar os estudantes do colégio Júlio de Castilhos, por desenvolver uma abordagem sociológica mais crítica.Percebemos ao longo dos anos, não negando nossa experiência como estudantes secundaristas, que a sala de aula não se configurava e ainda não se configura como um ambiente dos estudantes e sim como um ambiente, onde se manifesta muitas vezes apenas o poder e as vontades dos professores.E nessa escola o ambiente dos estudantes, seu espaço de contestação e relacionamento apresenta-se na figura de seu grêmio estudantil.O grêmio é mais que um espaço de luta onde se discutem os problemas da escola e da sociedade, é um espaço de convivência onde surgem amizades, rixas políticas, amores, etc.

O grêmio é talvez a célula viva da escola, onde a efervescência de idéias salta aos olhos, por isso mesmo abandonamos a rigidez do sociólogo que observa o seu sujeito de investigação de forma externa, queremos ser parte desse processo, precisamos muito mais ouvir do que perguntar.

O colégio Júlio de Castilhos, popularmente conhecido como Julinho é o maior colégio de ensino médio do estado.Carrega uma bagagem de luta e excelência, quando o assunto é lutar por uma educação gratuita de qualidade para todos.Seus estudantes sempre estiveram na vanguarda da luta estudantil no RS, des dos anos 60 na luta contra a ditadura, passando pelas manifestações massivas pelas diretas já de 84 e desembocando na luta contra o desmanche da educação promovido na década de 90 e 2000 pelos governos neoliberais com verniz de esquerda ou não.

Entrevista

O grêmio estudantil: A voz e a vez do estudante refletir a escola

Ao chegarmos à escola em uma terça feira à noite, fomos muito bem recebidos pela direção, que após um momento de desconfiança sentiu-se bastante à vontade dado ao caráter informal da nossa pesquisa.Hoje, contudo, era o dia de irmos de encontro aos estudantes, em seu espaço dentro da escola: O grêmio estudantil.

Chegando ao grêmio fomos tratados como velhos amigos pelos estudantes que lá estavam, éramos iguais, tanto pela idade que não difere tanto, quanto pela postura em relação ao desmonte da educação pública em todos os níveis de ensino.Alguns estudantes responderam nossas perguntas, porém as estudantes Ana Moreau e Angie Bandeira manifestaram total interesse na pesquisa e responderam a todas.

Disseram-se apaixonadas pela escola e muito tristes porque mesmo com toda sua luta não conseguem melhorar a escola, que entre outros debilidades apresenta problemas de estrutura em decorrência do corte de verbas da educação pelo governo do estado.Reclamam da enturmação que aumentou o número de estudantes de 20 para 50 estudantes por sala de aula, argumentam que assim torna-se impossível de o professor dar uma boa aula.Logo a revolta começou a aparecer com ainda mais força, os estudantes revelam, que os professores demitidos em decorrência de enturmação, fazem parte em sua grande maioria da oposição a direção da escola e são participantes também da oposição no sindicato.

O papel do professor na avaliação dos alunos e a relação com o currículo

Para as estudantes o melhor turno para se estudar na escola é o noturno, porque segundo essas, é onde se encontram as pessoas mais sérias, que trabalham o dia inteiro e vêem na escola a oportunidade de melhorar de vida conseguindo um emprego melhor com o aumento de suas escolaridades.

Ao contrário do que o senso comum pensa, os alunos ao apontar que matéria gostavam mais afirmaram que tal avaliação, pois para eles uma aula boa depende muito mais da vontade e do interesse dos professores do que das matérias que esses ministram.Um dos professores mais citado pelos alunos pela qualidade de sua aula é um professor de física, matéria dada como vilã junto com a matemática nas escolas e nos vestibulares.

Em contrapartida, na conversa com os estudantes explicitou-se claramente a total falta de liberdade para a construção de seus currículos junto com seus professores.Para eles salvo algumas exceções, a relação professor-aluno é fria, superficial e burocrática configurando a sala de aula, como um espaço de poder dos professores.Fatos de descriminação dos professores em relação aos alunos e vice-versa aparecem com certa força, o racismo, o machismo e a homofobia estão fortemente presentes e se percebe pelas músicas que tocam no recreio, pelo comportamento da grande maioria dos alunos.A escola não está pronta do ponto de vista pedagógico e estrutural para receber deficientes, e quando os recebe segundo os alunos os próprios professores acabam discriminando-os.

O Julinho é um colégio em decadência em virtude do corte de verba para a educação, mas o amor de seus professores e alunos e as necessidades de aumento salarial e de verbas leva essa grande escola a estar na resistência, contra os ataques a educação.Quem escreverá o próximo capítulo dessa história.