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É preciso parar Israel

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É preciso parar Israel

Elaine Tavares *

Adital –

Assim fala o poeta catarinense Cruz e Souza, negro, excluído, abandonado: “Há que ter ódio, ódio são, contra os vilões do amor”. Com ele comungo porque, às vezes, o que se pode fazer contra o rugir do canhão? Na Palestina é assim. Desde 1947 que os canhões israelenses amassam casa, oliveiras e vidas. Perdeu-se a conta dos massacres que acontecem quando um ou outro militante, desesperado com a dor da invasão e da prisão sem fim, toma uma atitude radical. Então, para a mídia, palestino que luta contra a dominação é bandido, mas um estado terrorista que mata civis e rouba terra é legal.

 A guerra sem fim que aparece na televisão como coisa natural não nasceu ao acaso. Ela começa quando os Estados Unidos, vencedor da segunda guerra, decide dar, à força, um país aos judeus. O país é a Palestina e tampouco o lugar é escolhido ao acaso, é que ali é a porta de entrada para o Oriente Médio, lugar estratégico na geopolítica, portal do óleo negro. A promessa ao fim da guerra era ter dois estados, o de Israel e o Palestino. Mas, com o passar do tempo, os israelenses foram invadindo mais e mais terras, e os palestinos passaram a condição de “terroristas”. Não é incrível?

Hoje, os palestinos vivem confinados em duas grandes áreas dentro do seu próprio território. Vivem trancados, presos dentro de altos muros de concreto. Precisam pedir permissão para sair e entrar na suas casas. Têm de viver de olhos baixos, em atitude de submissão. Mandam neles os soldadinhos israelenses quase imberbes que decidem quem e como passar. O mundo inteiro viu crescer o muro e nada foi feito. É que parece que sempre há uma outra emergência para cuidar.

Na Palestina as crianças brincam nas ruas com o olho espichado para os canhões que toda hora insistem em avançar. Parece que nada é suficiente. O governo de Israel tem um único propósito: eliminar até o último palestino da terra, nada menos que isso. E, diante desse crime, instituições como as Nações Unidas ficam caladas ou fazem moções, como se isso pudesse valer de algo. Penso que alguém precisa parar Israel. Já basta! Não é mais possível que se possa seguir admitindo o que acontece naquela terra bendita. Sinceramente eu não sei como, me sinto impotente, aqui, tão longe. Mas, de algum lugar precisa vir a trava. “Ainda verte a fonte do crime. Obstruam-na!”, gritava o poeta Mahmud Darwish. Quem o fará?

Os palestinos estão agora sob o fogo de Israel, de novo. Pelas ruas os corpos se espalham. Mulheres, crianças, velhos, jovens, que nunca crescerão. A terra santa se banha de vermelho. As mulheres gritam. E as balas não param. Na TV, quem aparece são os candidatos ao governo de Israel, as autoridades, são eles os que têm a fala. Eu digo que já basta! Que se façam ouvir os gritos das mães, que se veja o vermelho do sangue, porque esta guerra não é um vídeo-game. E que as gentes saiam às ruas, e que pressionem seus governantes para que isso pare. Não é possível que as pessoas achem isso normal. Não é possível que sigam acreditando na Globo e nos jornalistas à soldo.

A Palestina, mais uma vez, está a arder. Mas eu sei que, ainda que todos tombem, sempre haverá quem se lembre. E sempre haverá, forte, o ódio contra os vilões do amor. Assim, tal e qual Mahmud Darwish, cada palestino, mesmo morto, cantará: “Ó rocha sobre a qual meu pai orou, Para que fosse abrigo do rebelde, Eu não te venderia por diamantes, Eu não partirei, Eu não partirei!”

*jornalista

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A crise da economia política do capital renasce das cinzas

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A crise

Muito já se escreveu sobre a crise. Crise dos “subprime”, crise especulativa, bancária, financeira, global, réplica da crise de 1929, etc. Floresce uma fenomenologia da crise, em que o que se falou ontem é hoje obsoleto. Os grandes jornais, começando pelo “Economist”, falam em “crise de confiança”, e a máxima se esparrama. A crise se resume a um ato volitivo. “Fiducia!”, diriam os latinos. Eis a chave analítica.

Bush, Sarkozy e Gordon Brown redescobriram, então, o estatismo todo privatizado como receituário para eliminar a desconfiança. O remédio neokeynesiano, sepultado nas últimas quatro décadas, ressurge como salvação para o verdadeiro caminho da servidão.
Aqui, Lula falou em “espirro nos EUA e marolinha no Brasil”. E, ao modo dos pícaros, a cada semana aparece uma nova história, com o calão raspando no chão. Pouco importa que a versão mais recente seja o oposto da anterior, pois há um traço de coerência no discurso: falar o que não faz e fazer o que não fala. Versão íngreme do grande Gil Blas de Santillana.

Para além da fenomenologia da crise, vale recordar aqueles (ao menos alguns) que procuraram ir além das aparências. Robert Kurz, por exemplo, vem alertando, desde inícios dos anos 1990, que a crise que levou à bancarrota os países do chamado “socialismo real” (com a URSS à frente), não sem antes ter devastado o Terceiro Mundo, era expressão de uma crise do modo de produção de mercadorias que agora migra em direção ao coração do sistema capitalista.

François Chesnais apontou as complexas conexões existentes entre produção, financeirização (“a forma mais fetichizada da acumulação”) e mundialização do capital, enfatizando que a esfera financeira nutre-se da riqueza gerada pelo investimento e da exploração da força de trabalho dotada de múltiplas qualificações e amplitude global. E é parte dessa riqueza, canalizada para a esfera financeira, que infla o flácido capital fictício.

E István Mészáros, há muito mais tempo ainda, vem sistematicamente indicando que o sistema de metabolismo social do capital, depois de vivenciar a era dos ciclos, adentrou em uma nova fase, inédita, de crise estrutural, marcada por um continuum depressivo que fará aquela fase virar história. Não é por outro motivo que, embora alterne o seu epicentro, a crise se mostra longeva e duradoura.

E mais: demonstrou a falência dos dois mais arrojados sistemas estatais de controle e regulação do capital experimentados no século 20. O primeiro, de talhe keynesiano, que vigorou especialmente nas sociedades marcadas pelo “welfare state”. O segundo, de “tipo soviético”, que, embora fosse resultado de uma revolução social que procurou destruir o capital, foi por ele fagocitado. Em ambos os casos o ente regulador foi desregulado.

Processo similar parece ocorrer na China de nossos dias, laboratório excepcional para a reflexão crítica.

E, afinal, quem vai pagar a conta?

A OIT adverte: para 1,5 bilhão de trabalhadores, o cenário é turbulento e será marcado pela erosão salarial e ampliação do desemprego, não só para os mais empobrecidos mas também para as classes médias que “serão gravemente afetadas” (“Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009”).

Se uma das três grandes montadoras dos EUA (GM, Ford e Chrysler) fechar as portas, evaporam-se milhões de empregos, com repercussões funestas para o desemprego mundial. O Eurostat, que oferece as estatísticas da União Europeia, calcula que, se a indústria automotiva de lá cortar 25% dos empregos, gerará, numa tacada, 3 milhões de desempregados.

Na China, com quase 1 bilhão que compreende sua população economicamente ativa, cada ponto percentual a menos no PIB corresponde a uma hecatombe social, e os operários deserdados das cidades não têm mais o campo como refúgio. O PC chinês pode esperar nova onda de revoltas, ampliando o cenário da tragédia atual.

Sem falar nos imigrantes do mundo, errantes em busca de qualquer labor, que agora são expulsos em massa do “trabalho sujo”, uma vez que ele também passa a ser cobiçado pelos trabalhadores nativos, inflados pela xenofobia e pressionados pela anorexia social.
Enquanto isso, uma parte grandona da “esquerda” atolou-se tentando remendar o velho sistema do mercado. Está, agora, em estado pasmado. Paralelamente, a magistral crítica da economia política do capital parece renascer das cinzas…

Será que os remédios que faliram no longo século 20 serão os antídotos da crise que parece liquefazer o capitalismo nos inícios do século 21?

Artigo de Ricardo Antunes, professor titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Publicado hoje na Folha.

A construção do espaço geográfico ao longo da história

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A construção do espaço geográfico ao longo da história

A divisão política atual, em países, é produto das mudanças no espaço geográfico ao longo da história da humanidade.A revolução agrícola, ou Neolítica, representam o marco onde os homens abandonam a vida nômade, caracterizada pela caça e pela coleta e passam a domesticar os animais e a cultivar a terra.Esse espaço natural é transformado pelos homens através de seu trabalho.Essa sedentarização do homem,ou seja, fixação em um determinado local,resulta no surgimento dos primeiros núcleos populacionais,sociedades mais complexas,origem das cidades.A divisão do trabalho,o avanço da técnica,o surgimento das ferramentas mais sofisticadas resultaram em um quantidade maior de excedente,provocando uma divisão do trabalho,o surgimento de uma elite administrativa e burocrática,que centraliza cada vez mais o poder.Esse processo resulta no surgimento das primeiras cidades-estado.

Essa ocupação permanente do espaço resultaram em relações sociais mais complexas e estáveis,surge à propriedade privada,a elite se perpetua em quanto classe através dos reis,escribas,sacerdotes,militares.Etc.Os territórios das cidades-estado tendem a se expandir,através das conquistas militares.O império Romano é o exemplo disso,pois através do poderio bélico Roma anexou econômica,politicamente e socialmente o mundo ocidental ao mundo oriental então conhecido.Com o declínio do império romano uma nova forma de organização do espaço toma conta da Europa,os feudos,prevalecendo ao oposto do império Romano a descentralização política,tendo como base a propriedade da terra por parte da nobreza.A propriedade feudal tem sua produção voltada para o consumo interno,esse período histórico é marcado por uma forte retração comercial.

O renascimento comercial do final da idade-média resulta em grandes mudanças na organização econômica,política,cultural e social na Europa.Grandes feiras-livres de especiarias e produtos vindos do oriente dão origem a cidades,como Paris,a Europa passa por um processo de reurbanização e as fronteiras nacionais começam a ficar mais claras com surgimento das monarquias absolutistas, que representa a centralização do poder nas mãos dos reis com o apoio da burguesia nascente.Nascem os estados nacionais europeus,contudo,as mudanças políticas influíram sempre na dinâmica das mudanças territoriais até os nossos dias.

Estados nacionais como o espanhol e o português se fortalecem no comércio internacional de especiarias ao se lançaram na busca de novas rotas para a índia,Colombo descobre a América em missão da coroa espanhola,está aberto à expansão marítima,a era do descobrimento trás consigo uma mudança no espaço territorial mundial,descobrem-se sob o olhar do europeu novos continentes.É nesse período histórico que se dá o forte processo de acumulação primitiva de capital,que posteriormente contribui para o fortalecimento do capitalismo europeu.Essa acumulação primitiva de capital só foi possível devido ao forte processo de exploração que as metrópoles européias submetiam as suas colônias no novo mundo,retirando seu ouro,prata,cobre e tudo mais o que fosse possível vender.

É com a Revolução Francesa,em 1789,que o conceito de nação baseado na unidade política se desenvolveu.A burguesia detentora do poder econômico arrancou de forma revolucionária o poder político da nobreza e do clero,tendo seus ideais sido propagados pelos quatro cantos do planeta.A questão das fronteiras estáveis e rigidamente estabelecidas ,como forma de controle político e econômico,ampliando o conceito de Estado,até então mais identificado com questões culturais ,agregando a noção de estado uma concepção política.A questão do estado passa a ser a partir daí um dos principais valores da classe burguesa da Europa ocidental.

Com a Revolução industrial tem começo um forte processo de urbanização do espaço,incrivelmente acelerado,sendo que a taxa de população inglesa urbana ultrapassa a taxa de população rural.Esse processo alastra-se rapidamente por toda a Europa.Com o aparecimento das fábricas,o espaço passa a se organizar de forma diferente,o que resultou no aparecimento das cidades industriais.Em pouco tem a Inglaterra tornou-se a nação mais poderosa do mundo,conquistado a maior parte dos territórios da áfrica e Ásia,etc, através de seu poder político.É promovida uma verdadeira partilha colonial entre os imperialismo europeus,devemos destacar o capitalismo francês e alemão desenvolvidos em um segundo período da revolução industrial.A busca por territórios,que representavam novos mercados para a crescente capacidade produtiva.Essas tenções entre as nações européias,em especial entre a Inglaterra e a Alemanha que já superava a primeira no cenário econômico mundial sãos os embriões que pariram a primeira grande guerra mundial .

Com a primeira guerra mundial nasce à supremacia econômica norte-americana,a configuração territorial tem novas mudanças com o fim dos impérios Austro-Húngaro,originando a Tchecoslováquia ,Hungria e Polônia.O império russo caí dando lugar à união soviética e ao primeiro estado operário da história,no oriente médio tem o fim do império Turco Otomano.A paz humilhante imposta à Alemanha,a crise econômica de 29,será um terreno fértil para o nazi – fascismo resultando já nos germes da segunda grande guerra mundial.Após,o término da guerra em 45 estala-se uma nova ordem,de bipolaridade entre o capitalismo e o socialismo.

Construindo Professores Construindo Discursos

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Construindo Professores

Construindo Discursos

Franco De Souza Machado

A construção dos saberes docentes se dá de forma combinada com o desenvolvimento do indivíduo, o sujeito professor existe além da sala de aula.Antes de ser o ‘mestre’ de geografia, biologia ele é o pai, o marido, a mulher ou o homem, o trabalhador vivente em uma sociedade fortemente hierarquizada, dividida em classes sociais antagônicas.A geografia das salas de aula é a geografia dos discursos, o espaço escolar apresenta-se como uma fotografia das relações de produção.O professor reproduz o papel do patrão, carregando em si toda a força do estado.O aluno nesse grande teatro social representa o operariado, esmagado por uma série de discursos e tolhido a ver a educação apenas como um obstáculo social ou como uma oportunidade de desenvolvimento profissional à medida que desenvolve conhecimentos técnicos.Infelizmente, a sociedade tem seu próprio ritmo, seu próprio desenvolvimento histórico, sepultando ora ideologias e categorias científicas para em seguida recuperá-las para o debate.Um tema que em minha opinião necessita ser revisado é a relação da escola com a sociedade, a possibilidade ou não do desenvolvimento de um conhecimento escolar imparcial, de uma escola que apresente o saber como algo determinado, ainda que confundido por uma diversidade de discursos e currículos que convergem sempre para um mesmo caminho a manutenção da ordem.

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A escola de nossos dias aborda questões ainda polemicas como o machismo na construção da mulher ideal, serviçal primeiro do marido e dos filhos e agora do patrão.Avançamos em uma abordagem mais crítica das opressões e explorações presentes no capitalismo, contudo, ainda somos demasiadamente descritivos e quantitativos sem adentrar com maior profundidade nas qualidades dos problemas sociais.A vida real é mais complexa que uma estatística, sendo essa apenas uma ferramenta, embora, muitas vezes tratada como um fim em si mesma.Porém, apesar das conquistas, precisamos ir além, vencendo a barreira do paliativo e do imediatismo intelectual. É preciso estudar,vivenciar e transformar o processo.A máxima de que nenhuma teoria é válida se não resiste a concretude da realidade material é valida para a geografia das salas de aula.O professor e sua relação com os discursos da sociedade, tal qual o machismo em relação às mulheres docentes me chama bastante a atenção, como algo que transborda o espaço das salas de aula.Concordo com a professora Guacira Lopes quando essa apresenta a rede de caricaturas sociais construídas ao longo do tempo sobre as professoras e como essas funcionaram e ainda funcionam como argumentos velados da exploração, pelo não reajuste salarial.A professora se desenhava como a tia, a que dá aulas por amor, por vocação, portanto não importam os baixos salários e as más condições de trabalho a professora seguirá dando aula porque ela nasceu para isso e nada a removerá de seu ideal quase divino.A escola brasileira está falida, existe um projeto de estado para cada vez mais sucatear e fortalecer o ensino privado em todos os níveis educacionais.Questiono Maura Lopes e Eli Henn Fabris como é possível inserir o excluído em um contexto de crise da educação?

*

Como será possível em cenário em que as escolas públicas atendem de forma precária a demanda dita regular de estudastes, que os professores ganham mal e não tem qualificação para lidar com a diferença. É triste mas nossa educação pública que é o que me compete não passa de uma velha máquina fordista,operando pelo ‘milagre’ da luta social de nossos educadores.Falta leitura, falta estrutura para o desenvolvimento de professores mais críticos, que vão além da matéria que conhecem com profundidade, despertando em seus alunos seus próprios valores e colaborando para a criação de um sujeito realmente transformador e participante da realidade, da sociedade em que vive.Meu recado para os professores da faculdade de educação, com toda a humildade para os queridos mestres, e que continuem com suas pesquisas pedagógicas, epistemológicas, mas que também vençam os muros da universidade, participando da luta direta do povo, pois, as teorias por mais brilhantes que possam ser precisam passar pela prova de fogo da realidade concreta.A dialética do conhecimento humano aproveita o que a história demonstra como válido e refuta, supera aquilo que já deu sua contribuição social a humanidade.Temos o direito de perecer, a escola e as ideologias sociais também.Fica, contudo, o processo, o desenvolvimento do conhecimento humano.Já é hora de construir novas geografias, novas escolas, novas sociedades nacionais em um novo sistema.

Bibliografia:

Gênero e Magistério:Identidade,História,Representação

Lopes Louro,Guacira.

O Discurso Do Avesso: A Geografia Da Sala De Aula

Moreira,Ruy.

Manter-se Na Escola Regular:Um Esforço Que Não Garante Lugar De Incluído.

Corcini Lopes,Maura.

Henn Fabris,Eli.

A POPULAÇÃO NEGRA TRABALHADORA

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os efeitos das desigualdades promovidos pelo preconceito racial sobre os rendimentos médios individuais,sem dúvida,inserem-se na grande concentraçao de renda salarial brasileira.Essa perversa realidade tem uma triste relação sobre a qualidade de vida desta grande parcela da população nacional.Desigualdade,pobreza,atingem principalmente a população trabalhadora negra e podem ser sintetizadas pela comparação entre o IDH da população negra e da população não-negra.

Estudos demonstram que a população de trabalhadores negros ocupa postos de trabalho mais precários e com menor remuneração,carregando também o peso de índices de desemprego subtancialmente maiores do que os índices de desemprego encontrado entre a população trabalhadora não-negra.Os negros tem maior índice de ocupação que os não negros em atividades ligadas a agricultura,contrução civil e prestação de serviços.Nas grandes regiões metropolitanas de nosso país é sempra mais intensa a incorporação de negros ao mercado de trabalho,porém esses são ainda muito poucos entre os trabalhadores estatutários.De fato o negro encontra-se ‘apartado’ dos serviços públicos em geral.Porém,quando se insere nesse setor geralmente ganha os piores salários ocupando as funções taxadas de menos qualificadas pela burocracia governamental do estado.

Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

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Entrevista com os alunos da escola estadual Júlio de Castilhos

A voz e a vez do estudante refletir a escola

Introdução

Optamos ao entrevistar os estudantes do colégio Júlio de Castilhos, por desenvolver uma abordagem sociológica mais crítica.Percebemos ao longo dos anos, não negando nossa experiência como estudantes secundaristas, que a sala de aula não se configurava e ainda não se configura como um ambiente dos estudantes e sim como um ambiente, onde se manifesta muitas vezes apenas o poder e as vontades dos professores.E nessa escola o ambiente dos estudantes, seu espaço de contestação e relacionamento apresenta-se na figura de seu grêmio estudantil.O grêmio é mais que um espaço de luta onde se discutem os problemas da escola e da sociedade, é um espaço de convivência onde surgem amizades, rixas políticas, amores, etc.

O grêmio é talvez a célula viva da escola, onde a efervescência de idéias salta aos olhos, por isso mesmo abandonamos a rigidez do sociólogo que observa o seu sujeito de investigação de forma externa, queremos ser parte desse processo, precisamos muito mais ouvir do que perguntar.

O colégio Júlio de Castilhos, popularmente conhecido como Julinho é o maior colégio de ensino médio do estado.Carrega uma bagagem de luta e excelência, quando o assunto é lutar por uma educação gratuita de qualidade para todos.Seus estudantes sempre estiveram na vanguarda da luta estudantil no RS, des dos anos 60 na luta contra a ditadura, passando pelas manifestações massivas pelas diretas já de 84 e desembocando na luta contra o desmanche da educação promovido na década de 90 e 2000 pelos governos neoliberais com verniz de esquerda ou não.

Entrevista

O grêmio estudantil: A voz e a vez do estudante refletir a escola

Ao chegarmos à escola em uma terça feira à noite, fomos muito bem recebidos pela direção, que após um momento de desconfiança sentiu-se bastante à vontade dado ao caráter informal da nossa pesquisa.Hoje, contudo, era o dia de irmos de encontro aos estudantes, em seu espaço dentro da escola: O grêmio estudantil.

Chegando ao grêmio fomos tratados como velhos amigos pelos estudantes que lá estavam, éramos iguais, tanto pela idade que não difere tanto, quanto pela postura em relação ao desmonte da educação pública em todos os níveis de ensino.Alguns estudantes responderam nossas perguntas, porém as estudantes Ana Moreau e Angie Bandeira manifestaram total interesse na pesquisa e responderam a todas.

Disseram-se apaixonadas pela escola e muito tristes porque mesmo com toda sua luta não conseguem melhorar a escola, que entre outros debilidades apresenta problemas de estrutura em decorrência do corte de verbas da educação pelo governo do estado.Reclamam da enturmação que aumentou o número de estudantes de 20 para 50 estudantes por sala de aula, argumentam que assim torna-se impossível de o professor dar uma boa aula.Logo a revolta começou a aparecer com ainda mais força, os estudantes revelam, que os professores demitidos em decorrência de enturmação, fazem parte em sua grande maioria da oposição a direção da escola e são participantes também da oposição no sindicato.

O papel do professor na avaliação dos alunos e a relação com o currículo

Para as estudantes o melhor turno para se estudar na escola é o noturno, porque segundo essas, é onde se encontram as pessoas mais sérias, que trabalham o dia inteiro e vêem na escola a oportunidade de melhorar de vida conseguindo um emprego melhor com o aumento de suas escolaridades.

Ao contrário do que o senso comum pensa, os alunos ao apontar que matéria gostavam mais afirmaram que tal avaliação, pois para eles uma aula boa depende muito mais da vontade e do interesse dos professores do que das matérias que esses ministram.Um dos professores mais citado pelos alunos pela qualidade de sua aula é um professor de física, matéria dada como vilã junto com a matemática nas escolas e nos vestibulares.

Em contrapartida, na conversa com os estudantes explicitou-se claramente a total falta de liberdade para a construção de seus currículos junto com seus professores.Para eles salvo algumas exceções, a relação professor-aluno é fria, superficial e burocrática configurando a sala de aula, como um espaço de poder dos professores.Fatos de descriminação dos professores em relação aos alunos e vice-versa aparecem com certa força, o racismo, o machismo e a homofobia estão fortemente presentes e se percebe pelas músicas que tocam no recreio, pelo comportamento da grande maioria dos alunos.A escola não está pronta do ponto de vista pedagógico e estrutural para receber deficientes, e quando os recebe segundo os alunos os próprios professores acabam discriminando-os.

O Julinho é um colégio em decadência em virtude do corte de verba para a educação, mas o amor de seus professores e alunos e as necessidades de aumento salarial e de verbas leva essa grande escola a estar na resistência, contra os ataques a educação.Quem escreverá o próximo capítulo dessa história.

40 anos do maio de 68 Sejam realistas exijam o impossível

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40 anos do maio de 68
Sejam realistas exijam o impossível

1968, “o ano que não acabou”, Maio de 1968, o mês que incendiou as ruas de Paris, da França e de todo o mundo. Toda a década de 1960 é marcada por profundas transformações no cenário internacional, consolidação da revolução cubana, ditaduras militares na América do sul, fortalecimento do movimento negro, de mulheres e nascimento do movimento GLBTT nos EUA, guerra do Vietnã. O imperialismo Francês junto com seu exército é derrotado na revolução argelina, enfraquecendo o governo do general Charles De Gaulle, ’herói militar da segunda grande guerra.De Gaulle, com o apoio da burguesia dá um golpe branco no IV república francesa, em 1958, governando até 1969.

Secundaristas e universitários tomam as ruas de Nanterre, cidade próxima de Paris, contra a proibição imposta pela universidade local de que homens e mulheres freqüentassem os mesmos dormitórios universitários. Enfrentam a polícia gaulista com pedras e palavras de ordem criativas, como os próprios estudantes ironizavam, ”era a vontade geral contra a vontade do general”. As manifestações massificam-se de forma espontânea, e a ela aderem trabalhadores, artistas e intelectuais. Os padrões comportamentais da burguesia francesa são questionados, o machismo, a homofobia, o racismo e a xenofobia são combatidos: ”Somos todos Judeus alemães”, gritam os manifestantes nas ruas em solidariedade aos explorados e oprimidos de todo o mundo.

As direções tradicionais do movimento de massas francês são duramente questionadas pela vanguarda de luta do maio de 68, que não confiavam no PCF e nos social-democratas dadas as suas posições vacilantes, capitulações e traições no pós-segunda guerra mundial.O PCF é o mais atacado, em virtude de seu apoio ao massacre promovido por Moscou aos operários revolucionários da Hungria em 1956.O sarcasmo e inteligência apresentam-se na celebre frase, ”o PC tem medo da revolução”.

Mais do que valores morais são questionados, se quer mais do que a libertação sexual. Querem destruir a escola arcaica e repressora, a estrutura de exploração das fábricas, mas acima de tudo, ainda que em grande parte sem consciência disso querem acabar com o sistema capitalista e com o estado burguês francês, que explora, oprime os trabalhadores franceses e os imigrantes, que embrutece e molda a juventude em suas escolas e universidades. “O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas. O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas. O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na. O poder tem o poder, tomem-no!”

O maio de 68 espalhou-se como uma ‘praga’ por toda a Europa e em todo o mundo, no Brasil a luta contra a ditadura militar toma um caráter mais radical, a Bélgica, Itália, Holanda, vivem suas jornadas de lutas. “Sejam realistas, exijam o impossível”, é o legado que esses bravos estudantes nos deixam, quarenta anos depois,pois se algo falou,foi mais luta e a força de uma direção revolucionária capaz de ajudar os trabalhadores e os estudantes a lutarem pela tomada do poder. Mas a realidade das lutas na França, na Ásia e áfrica, demonstra que a luta e a perspectiva do socialismo está mais viva do que nunca. E em nosso país, ainda que de forma mais lenta, não se pode diminuir a vitoriosa ocupação da reitoria da UNB,que marca sem dúvida o renascimento do movimento estudantil brasileiro após a traição de Lula e do PT.